RESUMO
É
fundamental analisar a presente situação do
sector da saúde em Angola e os respectivos desafios,
perspectivar o seu desenvolvimento e definir as melhores estratégias,
se queremos realizar uma reforma do ensino médico que
seja relevante para a melhoria da saúde das populações
do País. Os indicadores económicos e sociais
disponíveis definem um quadro difícil, em que
a debilidade sanitária se associa a uma marcada degradação
da rede sanitária - na sequência do longo conflito
que marcou o País- a elevada prevalência da pobreza
e a baixa escolarização. Um elevado número
de deslocados internos, de refugiados e de combatentes regressaram
às suas casas ou áreas representando uma demanda
adicional à assistência médico-medicamentosa,
mas a percentagem da despesa pública locada à
saúde é ainda das mais baixas da região
(SADC). As principais estratégias para melhoria da
saúde são (1) o fortalecimento do sistema nacional
de saúde, (II) a aceleração da implementação
dos programas prioritários e (III) a maior intervenção
na mobilização de recursos e parcerias internas
e externas. A reorganização do sistema municipal
de saúde garantindo efectivamente o pacote mínimo
de serviços é crucial para uma intervenção
bem sucedida. Os maiores desafios são reduzir o elevado
fardo das doenças transmissíveis, aumentar a
cobertura vacinal de rotina em crianças, aumentar o
acesso às consultas pré-natais e o atendimento
aos partos, implementar o projecto intensivo da malária
e o projecto intensivo do HIV (estratégia 3x5). E especialmente
importante aumentar a eficácia da informação
e da educação sobre o NIV/SIDA, modificar os
comportamentos de risco e assegurar a triagem e tratamento
dos doentes para inverter o impacto negativo desta situação
cuja prevalência tem vindo a aumentar marcadamente nos
últimos anos.
ABSTRACT
A
relevant medical training reform requires the previous analysis
of the health sector profile and challenges, foreseeing its
development guidelines and adopting sound strategies. The
Angolan current health status is very poor, the health facilities
network was greatly destroyed during the war, literacy is
low and poverty prevalence is high. Many internally displaced
people, refugees and former guerrillas returned to their homes
and villages, engendering a higher demand on the health service,
but health budget is still one of the lowest within the region
(SADC). The main strategies to improve the current health
condition are (1) strengthening the health national system,
(II) fostering the implementation of priority programs, and
(III) boosting up resources mobilization through internal
as well as external partnerships. It is crucial to reorganize
health services at district level and to assure the delivery
of “minimum service package”. The bigger challenges
the country faces are to reduce the burden of transmissible
diseases, to improve routine vaccination of children, to improve
prenatal care and institutional delivery, and to implement
malaria and HIV (3x5 strategy) intensive projects. HIV/AIDS
control is a major concern, as its prevalence and negative
impact are growing faster lately; there is a need for guaranteeing
the patients diagnosis and treatment, improving the effectiveness
of information and education on this issue, and achieving
a greater change of risky behaviour.
RAEM
2004;1(2):85-95. |
(1)
MD, WHO Representative - Angola
Esta
comunicação foi incluída no “Workshop
Inicial da Reforma do Ensino Médico” realizado
em Luanda, de 26 a 29 de Janeiro de 2004, por iniciativa conjunta
da Faculdade de Medicina - Universidade Agostinho Neto e da
Ordem dos Médicos de Angola
[Voltar
para lista de artigos][Anterior][Próximo] |