RESUMO
Os programas de educação médica devem
ser inovadores e criativos, fortemente comprometidos com a
ética e a responsabilidade social, direccionados para
os problemas de saúde prioritários das populações.
Consequentemente, o processo docente educativo deve centrar-se
no estudante, desenvolver-se de forma integrada e ser, ao
mesmo tempo, baseado em problemas e baseado na prática.
E também fundamental considerar que se trata de ensino
de adultos e, portanto, deve promover a autonomia e as capacidades
críticas, mais do que difundir grandes volumes de informação.
Com base nestas premissas, o artigo focaliza-se e discute
detalhadamente o desenvolvimento das habilidades - —
e do seu corolário, as competências profissionais
-— enfatizando as habilidades de comunicação,
por vezes menosprezadas na formação dos médicos.
E realçada a contribuição que podem prestar
neste processo os laboratórios de auto-aprendizagem
e os laboratórios de doentes simulados, assim como
o papel significativo que podem desempenhar os estudantes
mais avançados e os internos no processo docente-educativo.
As competências precisam serem consideradas como objectivos
que habilitam ao exercício profissional, isto é,
sem os quais o profissional não pode participar eficientemente
no processo de saúde. Por tanto, elas precisam de uma
avaliação formativa, prolongada, onde teoria,
habilidades e raciocínio andam constantemente de mãos
dadas. Os docentes têm que reconsiderar as avaliações
tradicionais, “conteudistas”, que não permitem
um crescimento contextual do futuro profissional. As Habilidades
devem demonstrar-se quotidianamente antes da graduação
e ser evidentes no momento do estágio final, não
baseando o diploma em simples médias de notas (por
disciplinas) que não consideram a qualidade profissional
como o factor mais importante no momento da graduação.
ABSTRACT
There’s
a need for innovative and creative medical training programs,
highly committed with social responsibility and ethics, addressing
community health priority problems. Therefore, the training
process must be student-centered, integrated, and problem-based
as well as practice-based. Moreover, adult education which
is today’s educational methodology, promotes autonomy
and critical thinking and not just huge amounts of information,
based on memoirist recall... Within this framework, this article
focuses, and comprehensively discusses, skills development-
leading to professional competency- stressing communication
skills, which usually don’t deserve much attention.
Self training laboratories and dummy patients laboratories
can play an important role in skills development, as well
as the recruitment of older students and residents to assist
learning activities. Professional competences must be considered
as enabling objectives: without them health professional cannot
efficiently participate in health care, prevention and promotion.
This requires formative evaluation, during all the educational
years, where theory and practice go hand on hand. Faculty
must reconsider traditional evaluations, based on isolated
knowledge itself useless to contribute to the balanced growth
of future professionals. Professional competences, (i.e.,
skills, theory and reasoning) by the time of internship, must
be evident, demonstrated daily, before graduation. We must
not base the diploma acquisition on averages of pointers that
did not considered professional quality as the most important
factor by graduation time.
RAEM
2004;1(2):37-54. |