A
8 de Março de 2005, o Ministério da Saúde
foi alertado pela antena epidemiológica local do registo
de casos de uma doença febril hemorrágica de
etiologia não identificada na província do Uíge.
As primeiras vitimas foram crianças internadas e profissionais
de saúde na enfermaria de pediatria do Hospital Provincial
do Uíge.
Para avaliar a situação, profissionais da Direcção
Provincial de Saúde do Uíge e da Direcção
Nacional de Saúde Pública com auxílio
técnico da OMS reforçaram as actividades da
Antena Epidemiológica do Uíge, tendo sido recolhido
um total de 12 amostras que foram enviadas a 15 de Março
de 2005 para os laboratórios do Instituto Pasteur de
Dakar e do CDC/Atlanta nos Estados Unidos da América.
A 21 de Março de 2005, obteve-se o resultado laboratorial
de 9 amostras que eram positivas para o vírus de Marburg.
Nessa data, foi declarada oficialmente a existência
da Epidemia de Marburg e o Governo de Angola criou uma equipa
multi-sectorial para o combate da epidemia.
O pico do surto epidémico registou-se no período
de 28 de Março a 3 de Abril de 2005 e desde 27 de Julho
de 2005 que não se confirmaram laboratorialmente a
ocorrência de novos casos no país.
Foram registados um total de 252 casos com 227 óbitos
e 25
sobreviventes correspondendo à taxa de letalidade de
90.07%.
Temos a lamentar a morte de 23 profissionais de saúde,
sendo: 16 enfermeiros, 2 médicos e 5 terapeutas tradicionais.
Até a presente data, Angola registou o surto epidémico
de Marburg mais mortífero à escala mundial.
Cumpridas as recomendações técnicas da
Organização Mundial da Saúde, particularmente
a observância de mais de 45 dias consecutivos sem registo
de novos casos, o Ministério da Saúde declara
hoje, solenemente à Nação e ao Mundo
o fim do actual surto epidémico de Febre Hemorrágica
por Vírus de Marburg em Angola.
O Governo da República de Angola agradece o apoio técnico
multiforme oferecido pela Organização Mundial
da Saúde, assim como agradece a solidariedade nacional
e internacional, todas as instituições públicas
e privadas nacionais e estrangeiras e pessoas singulares que
mobilizaram os seus meios: humanos, materiais e financeiros
que possibilitaram o combate do terrível surto epidémico
de Marburg.
O Ministério da Saúde apela a todas as instituições
e entidades envolvidas no combate desta epidemia a manterem-se
vigilantes e mobilizadas para a prevenção da
transmissão de possíveis novos casos que eventualmente
sejam identificados no país.
Finalmente, o Governo da República de Angola e a Organização
Mundial da Saúde rendem sentida homenagem às
vítimas mortais da epidemia por vírus de Marburg
em especial aos 23 profissionais de saúde nacionais
e estrangeiros, aos quais consideramos ser os verdadeiros
mártires desta batalha.
Luanda, aos 07 de Novembro de 2005. |